quinta-feira, agosto 12

Verdade verdadeira? Este blog já morreu mas ainda não percebeu. Mas de quando em vez, como agora, eu o ressuscito e escrevo umas besteiras. Afinal, ninguém irá lê-las mesmo.
Este seria o momento ideal para iniciar aquele tradicional post em que emito opiniões rasas sobre os discos que adquiri ultimamente. O problema é que entrei numa fase (bastante longa, por sinal) de completo desinteresse musical. De acordo com as estatísticas que tenho em mãos, este ano cometi a extravagância de comprar exatos 4 cds. Sendo que apenas um é digno de nota: O álbum de estréia do House of Love, cujo preço ficou um pouco acima do padrão por mim estabelecido (sou um tanto avarento), mas ainda assim valeu a pena. Junto com os Smiths, o HOL é a única banda dos anos 80 cujos discos eu ainda tenho prazer em ouvir com frequência, sinto que o som não ficou datado. Do Cure, meu grupo favorito na distante adolescência, só o Seventeen Seconds ainda tem alta rotação (e não tenho o menor interesse em ouvir o novo deles). O mesmo vale para o Darklands, do Jesus & Mary Chain. De Echo, Siouxsie e outros menos votados é melhor nem falar.

sexta-feira, julho 9

A maior qualidade da Eurocopa é o fato de não contar com a presença do Brasil, o que permite a qualquer pessoa acompanhá-la sem ser atormentada pela histeria de torcedores e imprensa. Pena que futebol anda um troço cada vez mais chato de se ver, deu pra contar nos dedos de uma mão o número de bons jogos ocorridos em Portugal. O melhor mesmo foi aprender o rico vocabulário futebolístico utilizado pelos lusos durante as transmissões da RTP. Agora sinto falta de ouvi-los falar a toda hora sobre equipa, golo, adeptos, seleccionador, balneário, relvado, camisola, guarda-redes, pontapé de canto...
Não sei se copiaram dos nossos telejornais, mas os patrícios também têm o péssimo hábito de cobrir a comemoração nas ruas em dia de vitória da Seleção. Após a costumeira dificuldade para ouvir a deixa do âncora no estúdio, uma repórter, quase esmagada pelos fanáticos torcedores, faz aquelas mesmas perguntas imbecis que obtêm as mesmas respostas idiotas. Será que existe alguém que realmente goste de assistir esse tipo de coisa? Duvido muito.

Ao zapear a tv, parei rapidamente na MTV e comentei comigo mesmo: "Ué! O João Gordo está entrevistando o Beato Salu?". Dei de ombros e continuei a zapear.
Parece que no final das contas era só o Zé Celso Martinez. Não sei de onde eu desenterro essas maluquices.

quarta-feira, junho 30

E pensar que houve uma época em que eu conseguia preencher o espaço do meu blog com posts quase que diários. Se eram bem escritos ou capazes de despertar um mínimo interesse por parte do incauto visitante não vem ao caso. Só queria mesmo saber uma coisa: Como é que eu arrumava tanto assunto?
Pela enormidade de tempo que levei para iniciar este segundo parágrafo, devo concluir que a resposta está, no momento, fora de alcance. Melhor trocar de parágrafo, então.
Após ser advertido sobre o frio rigorosíssimo que iria enfrentar, viajei temendo uma possível morte por hipotermia. Foi uma decepção de certa forma, o máximo (ou mínimo) que encarei deve ter sido uns 8° durante as madrugadas. Mas aí eu já estava protegido pelo edredon. Ainda assim o povo que mora na cidade, e que devia estar habituado, continuava a se queixar do frio. Não entendo mais nada.
Foram cinco dias de sossego em que, para minha inveja, não se ouvia um ruído sequer. Silêncio absoluto na hora de dormir é a melhor coisa que existe na face da Terra.
O cenário é o seguinte: Noite de domingo, a névoa começa a descer na rua deserta de um bairro afastado e você está hospedado numa casa grande demais para tão pouca gente. Pode apostar que logo alguém começa a contar casos sobre assaltos a domicílio ocorridos na região. É um fenômeno estranhíssimo e infalível.
Para encerrar os trabalhos, cabe um agradecimento ao Santo André por proporcionar aos não-megalomaníacos uma noite sem gritaria e foguetório. Rosinha e Cesar Maia que se virem para reparar os danos causados ao patrimônio público pela plebe enfurecida.

terça-feira, maio 25

Como diriam os adeptos do lugar comum (longe de mim endossar tal prática), quem é vivo sempre aparece. Bom, diante das circunstâncias só me resta dizer que a indolência é algo vergonhoso.
Finalmente encontrei algo de útil para fazer com os dotz que amealhei durante minhas compras online. Tratei de trocá-los pelo "Fans only", o incensado dvd do Belle & Sebastian. O melhor de tudo é que o material contido no disco é proveniente da época em que (atenção para o discurso panfletário de militante do PSTU) a banda ainda não tinha sido cooptada pelo sistema. Tem todos os vídeos, imagens de arquivo, apresentações ao vivo e a brejeirice da Isobel com traje de colegial e maria-chiquinhas no cabelo (e você achando que Belle & Sebastian não combina com fetichismo). Também está presente a constrangida performance de "I'm waking up to us" no programa do Jools Holland; a tensão que paira entre a Isobel e o Stuart é tão densa que poderia ser cortada com uma faca (obrigado Neil Simon!). Até aquela infame entrevista no Jô Soares foi aproveitada. Mas nem tudo são flores: Algumas apresentações ao vivo foram cortadas no meio ou tiveram o áudio original substituído pela respectiva versão de estúdio. Totalmente desnecessário.
Para encerrar, leiam
aqui a resenha definitiva sobre o dvd.

quarta-feira, abril 14

Os estudiosos do cinema já devem estar carecas de saber disso, mas eu, criatura extremamente obtusa, ainda não tinha notado a repetição temática. Outro dia, após assistir Irma La Douce – no filme, um gigolô enciumado adota um disfarce e torna-se o único cliente da prostituta que deveria explorar –, finalmente me apercebi do tom farsesco presente na filmografia do Billy Wilder. Quase sempre há um personagem metido em trocas de identidade.
A continuar nesse ritmo, minha próxima e eletrizante descoberta envolverá os dramas dirigidos pelo Frank Capra. Impressão minha ou existe uma fórmula – virtuoso herói, levado ao desespero por forças corruptas, consegue alcançar a redenção – presente em todos eles? Não, não é possível...

quarta-feira, março 31

Essa entra pra série "Apertem os cintos, o revisor sumiu":
A mais recente Conexão Blogger, coluna publicada pelo JB, escolheu como tema os recentes espetáculos de violência protagonizados por gangues de pitboys na noite carioca. O fato em si não chega a ser nenhuma novidade, mas de quando em quando entra na alça de mira da imprensa (o mundo das notícias possui alta rotatividade). Mas vamos ao que interessa. Sabe qual é o título da coluna? Falta de impunidade.

Eta nóis...

terça-feira, março 23

Sigo sem a menor vontade de escrever algo que possa ser interpretado como pessoal, mesmo que remotamente. Nada melhor, então, do que continuar no seguro terreno das amenidades. Alguma objeção?... Ótimo! Parafraseando os cartazes exibidos por fanáticos futebolistas em dia de conquista de campeonato: Eu já sabia!
Os tituladores de filmes no Brasil são uns injustiçados. Para constatar o fato, basta visitar qualquer página dedicada à sétima arte que possua uma relação de filmes batizados em Portugal. Comparados aos tituladores lusitanos, os nossos são possuidores de uma sensibilidade que faria inveja ao mais derramado dos poetas românticos (te cuida Álvares de Azevedo!). O engraçado é que, ao ler um forum dedicado ao cinema, encontrei uma mensagem de um gajo a criticar o nome dado no Brasil a "The good, the bad and the ugly". Tá certo, "Três homens em conflito" não é lá grandes coisas, mas ainda assim é melhor do que o estapafúrdio "O bom, o mau e o vilão". Eu só queria saber o que diferencia o mau do vilão. E para não perder a oportunidade, eis uma amostra da criatividade que grassa pela terrinha:

Operação França - Os incorruptíveis contra a droga
Tootsie - Quando ele era ela
Um corpo que cai - A mulher que viveu duas vezes
Matar ou morrer - O comboio apitou três vezes
Sindicato de ladrões - Há lodo no cais
Cidadão Kane - O mundo a seus pés
Pacto sinistro - O desconhecido do Norte Expresso
Faça a coisa certa - Não dês bronca
Ao mestre com carinho - O ódio que gerou o amor
Inocente mordida - Não há pescoço que agüente
Cova rasa - Pequenos crimes entre amigos
Amigos, sempre amigos - A vida, o amor e as vacas

sexta-feira, março 5

Obviamente, trata-se de uma questão de suma importância e que, por conseqüência, merece ser levantada neste prestigiado espaço. Negóseguinte: A cada dia fico mais convencido de que entre os diretores donos de extensa filmografia, o Billy Wilder é o que possui o melhor aproveitamento. Cheguei a considerar o John Ford, mas concluí que só Alfred Hitchcock teria condições de bater de frente com a obra do libidinoso austríaco. Entretanto, o "mestre do suspense" tem seu calcanhar de Aquiles em parte da fase inglesa e no início e final da fase americana. Filmes como "O marido era o culpado", "A estalagem maldita", "Sob o signo de capricórnio", "Topázio" e "Trama macabra" depõem contra qualquer um. A fim de comprovar a tese acima exposta, permito-me avaliar os filmes do Billy Wilder que tive oportunidade de assistir:

De bom a excelente:
Pacto de sangue (Double indemnity) * * * * *
Crepúsculo dos deuses (Sunset Boulevard) * * * * *
A montanha dos sete abutres (Ace in the hole) * * * *
Inferno Nº 17 (Stalag 17) * * *
Sabrina * * *
O pecado mora ao lado (The seven year itch) * * * *
Testemunha de acusação (Witness for the prosecution) * * * *
Quanto mais quente melhor (Some like it hot) * * * * *
Se meu apartamento falasse (The apartment) * * * * *
Irma la Douce * * *
Beija-me, idiota! (Kiss me, stupid) * * *
Uma loura por um milhão (The fortune cookie) * * *

De regular a fraco:
Águia solitária (The spirit of St. Louis) * *
A vida íntima de Sherlock Holmes (The private life of Sherlock Holmes) * *
Amigos, amigos, negócios à parte (Buddy, buddy) *

terça-feira, março 2

Não tem coisa mais chata do que cerimônia do Oscar em que determinado filme leva todos os prêmios de roldão. Fica tão previsível que dá sono, que nem no ano do Titanic. Felizmente nenhum hobbit concorreu aos prêmios de interpretação, senão perigava ficar mais enfadonho ainda. Só valeu pelo clima de comédia pastelão que cercou a entrada do Blake Edwards no palco. Foi hilário. E quando é que o SBT vai aprender que o volume do som original deve ficar mais baixo em relação ao dos tradutores? Caso contrário, vira uma embolada só e ninguém entende patavina. E aquela repórter lesada que conversou com os brasileiros na entrada? Não aguentava mais aquela voz esganiçada perguntando: "Como é essa emoção de estar aqui?". Arre!!
Não fui corajoso o suficiente para acompanhar as "entrevistas" que a moça realizou no camarote da Brahma (ai, Jesus!), mas deu para notar que a Babi poderia substituir tranquilamente a Charlize Theron em Monster. Nem iria precisar de maquiagem.

quarta-feira, fevereiro 11

Ao observar com mais atenção os créditos na contracapa do dvd de "Três homens em conflito", deparei-me com um precioso exemplo de humor involuntário. O (ir)responsável pela tradução transformou o que devia originalmente ser "also starring Eli Wallach in the role of Tuco" em "também estrelando Eli Wallach no buraco do Tuco". Genial.

terça-feira, fevereiro 10

Em meados do ano passado, cansado de ser encarado como um pária da sociedade, decidi mudar de vida. Comprei um aparelho de dvd. Agora serei feliz, concluí enquanto optava pelo pagamento a perder de vista. Mas já não sei se foi uma boa idéia. Esse troço é muito viciante, fiquei obcecado em substituir minha coleção de fitas (montada a partir do acervo de locadoras em liquidação) pelos disquinhos prateados. Por outro lado, o dvd permitiu que eu recuperasse o interesse em assistir filmes, já que, há tempos, criei ojeriza por essa aporrinhação que atende por "fita vhs". Sem falar que os lançamentos no mercado digital costumam apresentar boas surpresas. Mais ou menos nessa época, adentrei a Americanas em busca de alguma promoção. Fuça daqui, fuça de lá, avistei "Milagre na Rua 34" em uma prateleira que oferecia dvds a vinte pratas. Inicialmente, pensei que fosse aquela refilmagem feita nos anos 90 com o Richard Attenborough (à qual nunca assisti). Já ia seguir adiante quando, finalmente, a ficha caiu. Se aquela era a refilmagem, que diabos a Natalie Wood estava fazendo na capa? Vai entender o porquê de a distribuidora desprezar o título com o qual o filme foi lançado originalmente por aqui e optar pela tradução literal. O fato é que "Milagre na Rua 34" não significa nada para quem nasceu abaixo da linha do Equador; "De ilusão também se vive" é mil vezes superior e resume com precisão o espírito do filme. Se antigamente o critério utilizado fosse o mesmo, "Sunset Boulevard" jamais ficaria conhecido como "Crepúsculo dos deuses".
Aliás, outro dia eu estava pensando sobre isso, os tituladores de filmes já foram bem mais criativos. Às vezes, até em excesso. Por exemplo, tem muita gente boa que não tolera o fato de "Shane" ter sido batizado com o melodramático "Os brutos também amam" - ainda no estilo exagerado, é válido citar "Amar foi minha ruína", noir rodado em exuberante technicolor e estrelado pela bela Gene Tierney. É uma posição respeitável, mas, imagine só, sem o legado cultural deixado pelo título do faroeste de George Stevens, a TVS (você sabe, o SBT) acabaria escolhendo outro nome para "Os ricos também choram", célebre novela mexicana dos anos 80. Hummm, pensando bem...
Polêmicas à parte, lembremos alguns títulos reconhecidamente bons: "O pecado mora ao lado" eu considero brilhante, apesar do desculpável erro de localização (o pecado mora no andar de cima, na verdade); nos dias atuais certamente mereceria algo "inventivo" como "Uma loura da pesada". Embora esta seja uma opinião controversa, prefiro o expressivo "Assim caminha a humanidade" ao lacônico "Giant". "Marcado pela sarjeta", aquele filme em que o Paul Newman vive um pugilista, é outro belo título. Não posso esquecer de "A felicidade não se compra" e "Do mundo nada se leva", dois representantes da categoria dos aforismos, bastante popular entre os tituladores da época. Não sei por que, mas desconfio que o nosso viajado presidente iria exultar caso ela voltasse à moda.

quarta-feira, janeiro 28

Agora que finalmente estamos livres do interminável noticiário referente à reforma ministerial e às comemorações dos 450 anos de São Paulo, me vem a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e indica o "Cidade de Deus" em quatro categorias do Oscar. Pra quê! Até o dia da fatídica premiação, certamente seremos bombardeados com o ufanismo desmesurado de grande parte da mídia. Saca aquelas matérias edificantes com humildes moradores do subúrbio carioca comentando sobre como a conquista do careca dourado será motivo de incomensurável alegria em suas vidas? Não? Aguardem para breve, então. Mesmo que leve apenas o Oscar de montagem, aposto que vai ter desfile no carro de bombeiros.

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Melhor momento do Globo de Ouro: após "Lost in translation" ser anunciado como vencedor nas categorias ator e roteiro, tocaram Just like honey do Jesus & Mary Chain (que está na trilha do filme) enquanto o Bill Murray e a Sofia Coppola lutavam para abrir caminho entre as mesas e alcançar o palco.

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A expectativa é grande. Se tudo correr nos conformes, no próximo episódio de Whose line is it anyway? serei presenteado com o esporádico quadro em que o Colin Mochrie e o Ryan Stiles improvisam uma cena de filme noir. É de rachar o bico. Eu nunca me canso, merecia lugar fixo no programa.

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Ok, hora de retrospectiva. Afanando uma idéia que vi no Aleatório, eis a lista dos cinco melhores cds que eu dei a sorte de encontrar em sebos:
1. The Beach Boys - Pet Sounds (stereo & mono)
2. Cowboy Junkies - Black eyed man
3. Catatonia - Greatest Hits (edição dupla limitada)
4. Black Box Recorder - England Made Me
5. Neil Young - After The Gold Rush

segunda-feira, janeiro 19

Tudo bem, deixa eu escrever alguma coisa antes que o mês de janeiro passe todinho em branco. Poderia pegar mal. E então, como fomos de Natal e Ano Novo? Peraí... tenho certeza de que existe uma categoria profissional que incorporou a 1ª pessoa do plural ao seu linguajar. Qual é mesmo? Professoras, psicólogas ou enfermeiras? Ou nenhuma dessas? Ok, tentarei não mais digressionar.
Cumprindo a tradição familiar, fui lá e bati o cartão nas efemérides natalinas. O engraçado é que, nas festas atuais, você só sabe que é Natal graças à colossal quantidade de comida. Nem árvore tem. Deve ser uma decepção para a nova geração. No tempo em que eu usava calças curtas (lorota, mas a expressão é do meu agrado) era bem mais divertido. Pasmem, até em Papai Noel se acreditava. Também é um dia bem chato para quem não gosta de carne e, portanto, nem sabe diferenciar aquela farta variedade de aves fatiadas. O que foi que eu almocei mesmo? Bom, certamente foi uma refeição bastante frugal, visto que o meu estômago faz severas restrições a qualquer tipo de extravagância gastronômica. E como a coisa que eu mais odeio na vida é vomitar (trauma de infância, nem te conto), o obedeço humildemente. A verdade é que nessas horas ninguém liga muito para os acepipes (é tradição encontrar no dia seguinte as travessas repletas de comida azeda), o que vale mesmo é enfiar o pé na jaca. Sobre isso, eis uma historinha edificante: Indivíduo caxias que sou, recolhi-me cedo aos aposentos (bonito isso), li um pouco e tratei de dormir. Acordei de manhã e, estupefato, encontrei os bebuns usuais em animada conversa. Como é que pode? Encheram a cara e, mesmo assim, conseguiram levantar antes de mim? Que nada. Passaram a noite em claro enxugando garrafas. Enquanto eu acordava, eles ainda iam dormir. Não sei por que eu ainda fico surpreso.
E aqueles almoços posteriores que são feitos com as sobras? Meu Deus. E tem gente que come. Felizmente um dos eventos ocorreu no sítio, onde pude optar por uma bela comida caseira preparada no fogão de lenha. Um dia eu ganho a megasena acumulada (primeiro, preciso jogar), aí vocês vão ver.
Chega, né? Acho que já escrevi demais.

sábado, dezembro 20

Demorou um bocado para o disco da Beth Gibbons descolar uma vaga na minha wishlist, visto que não tive saco para baixar uma mísera música que fosse no Soulseek. Ao mesmo tempo, não iria arriscar meus tostões dando um tiro no escuro. Felizmente, o Multishow exibiu um trecho de sua apresentação no Tim Festival e facilitou a minha vida (o som era menos eletrônico do que eu temia). Concluí que seria uma boa trilha sonora para aqueles momentos em que fico ensimesmado (o que corresponde à maior parte da minha existência). Só que para adquiri-lo numa loja online eu teria que gastar quase 35 pratas. Chance zero. Foi aí que o raciocínio lógico entrou em campo. Encontro-me no Rio de Janeiro, balneário ensolarado habitado por gente bonita e sarada, e palco do recente show da Beth Gibbons. Cheios da grana e sempre atentos ao modismo da semana, os bonitos e sarados certamente acorreram em massa ao supracitado festival. É batata, nessas ocasiões eles compram o álbum mais recente das principais atrações e decoram o nome das músicas, fato que lhes permite exibir sua suposta erudição nas rodas de bate-papo. Bastava-me aguardar pelo exato momento em que, enfastiados e ansiosos por uma novidade, eles resolvessem desovar os ultrapassados cds. Ontem, espírito confiante, parti rumo à loja de discos usados. Lá, dirigi-me à prateleira de cantoras internacionais, letra B. Encontrei-o pelo módico preço de 16 reais. Eis uma valiosa lição, pequeno gafanhoto: A paciência é uma grande virtude.

sexta-feira, dezembro 19

Não dá mais para tentar ignorar, aquela inevitável data festiva está cada vez mais próxima. E na seqüência ainda tem o malfadado acontecimento que obriga todo mundo a trocar a folhinha na parede. É isso mesmo. Embora eu esteja sendo demasiadamente sutil, acho que deu pra notar que detesto esta época do ano.
Ao observar a página inicial do meu blog, constatei que um post datado de junho ainda estava sendo exibido. Que vexame. Espero estar liberto da apatia no próximo ano e atualizar esta página com mais freqüência. Eu até gosto de escrever aqui, mas não consigo sair do buraco emocional (deve ser mais fundo do que aquele onde acharam o Saddam). É, 2003 foi péssimo, não vejo a hora que acabe.

quinta-feira, dezembro 11

Engraçado, nos últimos dias bateu uma vontade de escutar novamente os discos dos Smiths. Só não sei se isso é bom sinal (estarei deprimido? Ou apenas nostálgico?). Ontem à noite, enquanto o Hatful of hollow tocava, deixei a tv sintonizada na Fox. Peguei, já pela metade, uma comédia romântica com a Drew Barrymore, Nunca fui beijada. Como era uma versão legendada deu pra acompanhar mesmo com a tv no mudo. No instante em que Please, please, please, let me get what I want fechou o disco, acionei o som da tv para poder acompanhar o restante do filme de maneira mais apropriada. A cena se passava no baile de formatura e tinha como trilha sonora... Please, please, pleas... bom, vocês já sabem o nome. Eu sempre fico impressionado quando essas coincidências acontecem. Pena que eu nunca fui bom em fazer contas, gostaria de saber quais as probabilidades matemáticas envolvidas.

sexta-feira, dezembro 5

Sei lá, talvez eu seja meio ranzinza, mas toda vez que eu vejo no noticiário o Lula deitando falação sobre o que os países desenvolvidos devem fazer ou deixar de fazer, lembro logo daquele filme do Peter Sellers, "O rato que ruge".
Já fui bem mais implicante, né? Antigamente eu estava sempre disposto a fazer um comentário ácido. De uns tempos pra cá, adotei a política do pouco se me dá... o que certamente explica a escassez de posts.

quarta-feira, novembro 26

Tinha até uns negócios pra escrever mas deixa pra lá, fica pra próxima. Limitar-me-ei a informar o meu ranking dos álbuns do Belle & Sebastian (inspirado por um tópico que vi no fórum da banda).

1. If you're feeling sinister
2. Tigermilk
3. Fold your hands child
4. The boy with the arab strap
5. Storytelling
6. Dear catastrophe waitress

sábado, novembro 15

Fiz o sinal pro ônibus e ele, como não podia deixar de ser, parou. Antes que o motorista arrancasse, subi os dois degraus rapidamente e livrei-me de um provável traumatismo craniano. Paguei a passagem, recebi o troco e sentei-me, como de hábito, perto do corredor na fileira da direita. Felizmente esses lugares específicos estavam vagos, porque uma coisa que eu detesto é entrar no ônibus e encontrá-los ocupados. Sinto-me completamente deslocado do lado esquerdo. Que foi? Qual é o problema em ser metódico? Que eu saiba não é crime... ainda. Aviso importante: se você, abnegado visitante, leu este texto até aqui por acreditar que ele tem algum propósito, vá tirando o cavalinho da chuva. Naquela ensolarada tarde de sexta, fiz um trajeto relativamente curto. Mesmo assim, a tranqüilidade da viagem foi abalada pela entrada em cena de três ambulantes. Um de cada vez, é claro. O primeiro vendia paçocas e, pobre infeliz, fracassou miseravelmente na tentativa de convencer os passageiros a retirar o escorpião do bolso. Na seqüência veio o vendedor de canetas. Um real cada. Pessoalmente, achei as canetas pavorosas, muito berrantes, mas houve uma senhora que discordou do meu ponto de vista. Certamente não resistiu à lábia do vendedor. Este, diante do fato consumado, retirou uma caneta da caixa e passou a testá-la rabiscando um pedaço de papel. Admito, a longa duração do teste chegou a me angustiar; a caneta, sofisticadíssima, tinha três ou quatro cores (fico devendo a informação precisa). Confirmada a qualidade do produto, só então o cioso vendedor permitiu-se recolher a amarrotada nota de 1 real. É meu triste dever informar que coube ao derradeiro ambulante, o homem das bananadas, partilhar do mesmo destino do vendedor de paçocas. O fracasso comercial de ambos é uma questão que ainda me intriga. Teria o forte calor daquela tarde desestimulado a demanda por esse tipo de iguaria? Acho que nunca saberemos a resposta. De qualquer forma, toda essa experiência serviu para me dar uma brilhante idéia: estou pensando em propôr a criação de um novo índice para medir a atividade econômica do nosso país. Ele seria obtido através de uma equação que envolveria a distância percorrida pelo ônibus, o número de ambulantes presentes e o total de produtos vendidos (com pesos diferenciados para os comestíveis, cujo desempenho é influenciado por fatores sazonais). Morda-se de inveja, FGV.

sábado, novembro 1

A julgar pelas críticas elogiosas que li a respeito do novo disco do Belle & Sebastian, sou, muito provavelmente, o único ser vivo na face da Terra que detestou o "Dear catastrophe waitress". Fiquei com a sensação de ouvir um grande pastiche em cima da música pop dos anos 60 e 70. Não sei quanto a vocês (?), mas eu preferia quando os escoceses emulavam Love, Donovan, Nick Drake... ao menos passava mais sinceridade. Mal consigo escutar o disco direito, o dedo logo coça para apertar o skip no controle. Step into my office, baby é uma bobagem na linha de Legal man e Scooby driver, serve como b-side de single, nunca para abrir um álbum. Impossível não ranger os dentes quando o Stuart Murdoch começa, no pior estilo Motown, a cantar em falsete ao fim de cada estrofe em If she wants me. A insossa Asleep on a sunbeam, novo tiro n'água da Sarah Martin, é a prova definitiva de que Waiting for the moon to rise foi um aborto da natureza. Eu juro, toda vez que escuto a medonha introdução de You don't send me sinto vontade de atirar o som pela janela (por sorte a janela do meu quarto é apenas metafórica). Roy Walker só pode ser coisa do Stevie Jackson, o responsável por músicas (sic) como Chickfactor, Seymour Stein e Beyond the sunrise. Quanto às composições não sei dizer, mas os vocais de apoio da Isobel fazem uma falta danada. E que fim terão levado aqueles magníficos e tradicionais solos de trompete? Lord Anthony e Dear catastrophe waitress são canções razoáveis, talvez subam no meu conceito com o tempo, e ainda não decidi se gosto ou desgosto da estranha Stay loose. A única faixa realmente digna de elogios, apesar do título oportunista, é Piazza, New York catcher. Tão boa que mereceria um lugar até no perfeito "If you're feeling sinister" (de lá pra cá foi ladeira abaixo).